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Paulo Monteiro

Exposição Individual

Paulo Monteiro

Mendes Wood 
DM | Sala Oeste

Rua da Consolação, 3358


Jardins, São Paulo, Brasil

 

28 de Setembro a 16 de Novembro, 2013

Abertura: Sábado, 28 de Setembro, 14h - 19h

 

A Mendes Wood DM tem prazer em apresentar a primeira mostra individual do artista paulistano Paulo Monteiro na galeria. O crítico Tiago Mesquita escreve sobre as práticas de Monteiro,

 

Do Avesso

 

A exposição recente de Paulo Monteiro é das mais inventivas. O artista desdobra as questões da sua obra em meios variados e tira significados novos das massas ingovernáveis com que trabalha há anos.

 

Algumas das telas são quase monocromáticas, tomadas por uma camada de tinta grossa que daria alguma homogeneidade ao plano. No entanto, Monteiro cria áreas menos espessas de tinta com o pincel. Desloca parte pequena da camada grossa para outro espaço. O deslocamento sutil, ao modo de Willys de Castro, retira a integridade da cor e a mostra na forma de um objeto sobre a tela. A tinta não é mais cor, adjetivo, mas coisa, substantivo. Mas isso não é vantagem pra ela.

 

Além de inverter constantemente o sentido das cores em suas pinturas e do molde em suas esculturas, ainda cria objetos que nos fazem olhar tiras de metal, papel e fita crepe, papelão pregos, cordas, papel laminado do avesso.

 

O artista sempre tirou proveito da relação tensa entre os contornos e as massas. Quando molda as suas esculturas, o artista revela mais as viscosidades e o aspecto escorregadio do material do que propriamente o conforma. Porque o molde, na história da arte, foi o meio de fazer uma matéria flexível ganhar definição estável, permanente da forma reconhecível.

 

Ao observarmos alguns dos pequenos relevos de parede, o gesto de moldar de Monteiro mais deforma uma forma simétrica, fazendo com que a massa vaze para os lados do que a conforma. Assim, ao invés do gesto trazer à tona a forma, nos mostra a matéria. Também opera por deslocamentos, faz com que estava embaixo vá para o alto, o que estava na frente vá para o verso.

 

Em esculturas mais antigas, o artista tratava essa relação como uma espécie de instabilidade: a forma parecia se desfazer. Como em uma gag, o artista tentava moldar algo que se desfazia. Nos novos trabalhos, a presença do material é forte. No entanto, por meio de deslocamentos sutis, Paulo Monteiro nos faz perceber as coisas pelo avesso, como uma folha de crepe supostamente colada por fitas de papel sulfite.

 

Tiago Mesquita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Monteiro nasceu em São Paulo, em 1961, onde vive e trabalha.

 

Influenciado por R. Crumb e Luiz Sa, começou a desenhar estorias em quadrinhos a partir de 1976 publicando desenhos em revistas marginais como “Boca”, “Papagaio”, e posteriormente “Makongo” e “Almanak 80”. 

 

De 1983 até 1985 fez parte do grupo Casa 7 com Carlito Carvalhosa, Fábio Miguez, Nuno Ramos e Rodrigo Andrade participando das exposições no MAC-São Paulo, MAM-Rio de Janeiro e da XVIII Bienal de São Paulo em 1985. 

 

Em 1987 fez sua primeira individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud mostrando esculturas que lidavam com a questão do equilíbrio. No mesmo ano participou da mostra “Modernite, Art Brasilien du XX Siècle” no Musee de la Ville de Paris, França e no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1991 lançou livro de desenhos com texto do crítico Alberto Tassinari.

 

A partir de então realizou diversas exposições individuais na Galeria Paulo Figueiredo, e na Galeria Marilia Razuk. Em 1994 voltou a expor individualmente na XXII Bienal. Em 1999 ganhou a Bolsa Vitae de Artes. Em 2002 participou de mostra em homenagem a Lucio Fontana no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro e CCBB de São Paulo. Em 2006 realizou mostra de esculturas no Centro Universitario Maria Antônia e fez o “Projeto Parede” no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 2008 a Pinacoteca do Estado de São Paulo realizou a mostra Paulo Monteiro uma seleção de obras de 1989 a 2008, com curadoria de Taisa Palhares. 

Em 2012 expôs pinturas e esculturas no Centro Cultural Maria Antônia.